A emoção está de volta

A emoção está de volta

Uma das maiores duplas sertanejas do País retorna à Festa Junina e promete um show cheio de energia no sábado, 28

30/05/2025 30/05/25

Pinheiros Vocês estão voltando a tocar na Festa Junina do Pinheiros. Deu saudade? Em comparação a outros clubes e festas juninas em que se apresentaram, o que o Pinheiros tem de diferente? 
Marcos – Com certeza, deu saudade! A gente guarda uma lembrança muito especial do último show que fizemos no Pinheiros. A festa tem um clima único, uma energia diferente, que mistura tradição, alegria e aquele calor humano que só quem já foi entende.
Belutti – O público é sempre muito animado e receptivo, tem essa coisa bonita de família reunida, crianças, adultos, todos curtindo juntos. É um evento que respeita as raízes da festa junina, e, ao mesmo tempo, tem estrutura, som de qualidade e organização. Tudo isso faz com que seja sempre um prazer voltar. A gente se sente muito bem-recebido, tem um carinho no ar desde o momento em que chega.

Pinheiros O que esse show tem de novidade em relação à apresentação anterior? 
Marcos – Faz um bom tempo que a gente se apresentou no Pinheiros. Bastante coisa mudou de lá pra cá. Estamos com novos trabalhos, lançamentos recentes e um repertório repaginado, que mistura os grandes sucessos da nossa carreira com as músicas novas que a galera já tá cantando. Então voltar tem um sabor especial.
Belutti – E claro que não pode faltar aquele momento surpresa que a gente sempre gosta de preparar. Às vezes, é uma música inesperada, um trecho acústico, um bloco de ritmo diferente. A gente curte criar esse clima de proximidade com o público, deixar o show vivo, diferente a cada apresentação. 

Pinheiros Como a música entrou na vida de vocês? 
Marcos – A música sempre esteve comigo. Desde pequeno, cantava na igreja e já começava a me aventurar nas composições. Foi ali que descobri essa paixão. Com quinze anos, comecei a compor de forma mais séria e, aos dezenove, já tinha músicas gravadas por artistas consagrados, como Zezé Di Camargo & Luciano.
Belutti – Com quatro anos eu já cantava em casa, nas festas da família, sempre incentivado pelo meu pai, que também cantava e tocava. Foi ele quem me colocou nesse universo. Aos dez anos, comecei a estudar canto e teclado, e com onze já estava me apresentando profissionalmente.

Pinheiros Como vocês se conheceram e quando decidiram formar a dupla? 
Marcos – A gente se conheceu por acaso. Mas sabe aquele encontro que parece que já estava escrito? Então, foi em 2005, num estúdio em São Paulo. Eu estava fazendo backing vocal em um CD de uma dupla da qual o Belutti fazia parte. Fomos apresentados por um amigo em comum e rolou uma conexão imediata. 
Belutti – Em 2007, depois de algumas conversas, decidimos juntar as vozes e apostar na formação da dupla. Tivemos o apoio do Edson, da dupla Edson & Hudson, e do Bruno (dupla com Marrone), que foram nossos padrinhos nesse início. Desde o primeiro ensaio, a química musical e pessoal bateu forte. Era pra ser. Estamos juntos até hoje, com muito orgulho dessa trajetória.

Pinheiros A dupla soma dezessete anos de estrada. Quais foram alguns dos momentos mais marcantes dessa caminhada? 
Marcos – São muitos momentos inesquecíveis. Gravar o nosso primeiro DVD, lá no Villa Country (casa de espetáculos em São Paulo), foi um divisor de águas. Ali sentimos que a coisa realmente ia acontecer. Ver o público cantando nossas músicas foi emocionante.
Belutti – Também as turnês internacionais, ver brasileiros fora do País cantando com a gente é uma emoção difícil de descrever. E também algumas parcerias que fizemos, os hits que tocaram em todos os cantos, os prêmios, os palcos… A gente olha pra trás e vê que valeu cada passo, cada desafio. 

Pinheiros Vocês são vistos como grandes expoentes do chamado sertanejo universitário. O quanto o sucesso do gênero tem a ver com o sucesso de vocês?
Marcos – O crescimento do sertanejo universitário andou de mãos dadas com o nosso crescimento como dupla. A gente surgiu num momento em que o gênero estava se renovando, se aproximando mais do público jovem, das universidades, das festas. Conseguimos nos encaixar muito bem nesse novo cenário. O público abraçou a gente com muita força e carinho desde o início e isso fez toda a diferença. 
Belutti – O sertanejo universitário trouxe visibilidade, abriu espaço em rádios, programas de TV, nos palcos do Brasil inteiro. Mas o mais importante é que conseguimos colocar a nossa identidade nesse movimento, nossa forma de interpretar, de compor, de cantar. Foi uma construção mútua: enquanto o gênero ganhava força, a gente crescia junto e ajudava a moldar esse novo momento da música sertaneja. É um orgulho fazer parte dessa história. 

Pinheiros O som de vocês mistura o sertanejo tradicional com elementos do pop e do rock. Quais artistas fora do sertanejo também influenciaram vocês?
Marcos – Sempre fui muito fã de bandas como Roupa Nova e Legião Urbana, que têm letras fortes e melodias que marcam. E, claro, o Queen, que é uma referência mundial quando o assunto é música com alma e potência.
Belutti – Também sou apaixonado por Roupa Nova, e sempre ouvi muito Bryan Adams, Bon Jovi e Luis Miguel, meu maior ídolo. Essa mistura de referências fez parte da nossa formação. Quando levamos isso para o sertanejo, acabamos criando um som nosso, com personalidade.

Pinheiros A música sertaneja migrou do interior do País para as grandes capitais. Como vocês veem esse fenômeno? As plateias são diferentes?
Marcos – A música sertaneja se tornou nacional. A gente vê isso a cada show que fazemos. Não importa onde a gente esteja, Sudeste, Sul, Nordeste, a música é capaz de conectar pessoas de todos os lugares. A galera canta junto, se emociona, se entrega à nossa música de uma maneira incrível. 
Belutti – Com certeza, o público muda um pouco dependendo da região, mas a emoção é sempre a mesma. O povo canta do mesmo jeito, com a mesma energia. Não importa onde estamos, é sempre uma festa.

Pinheiros Vocês fizeram shows nos Estados Unidos, em Boston, Orlando e Nova York, entre outras cidades. Que tal essa experiência? Pretendem voltar a se apresentar no exterior?
Marcos – É uma emoção indescritível cantar para os brasileiros que estão em outros países. Ver como as pessoas, mesmo longe de casa, mantêm o amor pela nossa música é algo que nos enche de orgulho. Cada apresentação foi única, cheia de energia e muito carinho.
Belutti – Nos apresentamos também na Austrália e foi incrível! Toda vez que temos a oportunidade de levar a nossa música para o mundo, a gente está pronto. Cantar para os brasileiros lá fora, ver como eles se emocionam com a nossa arte, é algo que a gente leva pra sempre no coração. 

Pinheiros Outra característica do trabalho de vocês é a parceria com outros artistas, como Wesley Safadão, Jorge & Mateus e Marília Mendonça. Qual é a importância dessas parcerias? 
Marcos – Essas parcerias só têm a somar. Cada artista traz uma vibe diferente, uma energia nova e isso transforma a música. Além disso, tem a troca de públicos, que é muito importante. A gente se conecta com outras pessoas e leva a nossa música ainda mais longe. 
Belutti – O sertanejo sempre teve isso de união, de um ajudar o outro, então essas colaborações representam bem o nosso meio. É uma troca verdadeira. A gente aprende, compartilha, mistura estilos e se reinventa. Isso enriquece demais o nosso trabalho e fortalece a música como um todo.

Pinheiros Vocês também compõem. Como é o processo de criação da dupla? Um se encarrega da letra e o outro da melodia ou é tudo misturado? 
Marcos – O processo é bem natural e espontâneo. Às vezes, começa com uma frase que escutamos ou com uma ideia e isso vai se desenvolvendo. Não tem uma fórmula certa. É mais uma questão de sentir a música acontecer. 
Belutti – Não seguimos um padrão rígido. Cada música nasce de um jeito. Às vezes, a melodia vem primeiro, outras vezes é a letra. Essa mistura de influências e ideias é o que dá a nossa cara para cada composição. 

Pinheiros O mercado musical vem se transformando rapidamente com as plataformas digitais, com o streaming. O que é mais importante hoje para um artista da música: ocupar o espaço digital, ter presença nas redes sociais ou realizar shows?
Marcos – As plataformas de streaming conectam os artistas com um público global e as redes sociais são a nossa janela para o mundo. Permitem que a gente compartilhe mais do que música: são momentos da nossa vida, do nosso trabalho. Mas, sem dúvida, o palco continua sendo a nossa paixão. É no show que a magia acontece. É onde sentimos a energia do público de verdade. O segredo é equilibrar os dois mundos: o digital e o real.
Belutti – As redes sociais e o streaming abriram portas incríveis para artistas e mudaram a dinâmica do mercado. Estar presente digitalmente é essencial. Mas não podemos nunca perder o contato com o público, que é a razão de estarmos aqui. O show ainda é o nosso grande momento, o ápice da carreira. 

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