“O Pinheiros é a minha casa”
Depois de ganhar a medalha de ouro na Olimpíada de Paris, em 2024, a vida da judoca Beatriz Souza mudou. Ela passou a dar palestras e a participar de eventos, mas sem nunca deixar a vida de atleta de lado. Por isso, já se prepara para um treinamento mais forte a partir do ano que vem, focando a Olimpíada de 2028, que será realizada em Los Angeles (EUA).
A judoca de 27 anos conta que pretende mudar algumas coisas em seu Judô, aperfeiçoando ou modificando alguns golpes, com o intuito de surpreender as adversárias. Para a garota que começou a lutar Judô ainda criança por ser muito agitada, levada pelo pai, um judoca aposentado — ele também era policial e decidiu seguir a carreira militar para sustentar a família —, treinar bastante é a chave do sucesso, por isso quer participar de muitas competições a partir do ano que vem para evoluir cada vez mais.
Atleta do Esporte Clube Pinheiro há 12 anos — chegou ao Clube com quinze —, Beatriz diz que a sua relação com o Pinheiros é excelente e só tem elogios para as equipes técnica e multidisciplinar. Ela considera o Clube a sua casa: “Passo mais tempo aqui do que no local onde moro”, brinca a judoca. Bia, como é chamada, foi a primeira mulher atleta a ganhar uma medalha de ouro pelo Pinheiros. Leia, a seguir, sua entrevista.
Pinheiros Como você começou a praticar Judô?
Beatriz – Eu era uma criança muito agitada e meus pais me colocaram na Natação e dança para ver se eu melhorava, mas não deu certo, nada me controlava. Aí meu pai, que era judoca aposentado, achou que seria uma boa ideia me levar para assistir um treino de Judô, e foi amor à primeira vista.
Pinheiros E aí tudo começou?
Beatriz – Sim. Eu amei o Judô, amei o treino e no mesmo dia falei que queria fazer aulas. Uma semana depois já estava de quimono no tatame e não saí mais de lá. Realmente foi amor à primeira vista, eu treinava com vontade e me encontrei no Judô. Tanto que desde nova eu apresentei bons resultados e era muito empenhada, então comecei a me classificar para algumas competições nacionais e internacionais.
Pinheiros Quantos anos você tinha quando começou com essas competições?
Beatriz – Eu tinha 10 ou 11 anos. Participei do Pan-Americano, sempre com bons resultados. Quando eu estava com 13 anos, recebi convite para sair de Peruíbe, onde eu morava, e vir para São Paulo. O convite foi de um técnico com quem tive contato quando era criança. Assim eu vim para São Paulo, deixando minha família lá em Peruíbe na esperança de fazer o meu sonho dar certo.
Pinheiros E como foi essa experiência de deixar a família? Você se sentiu sozinha ou o sonho de ser uma grande judoca era tão grande que você suportou essa ausência?
Beatriz – Não tinha muito para onde eu correr. A gente também não pode dar um passo para trás. Por isso, a partir do momento em que decidi que queria fazer disso a minha vida, a minha carreira, eu fui em frente. Mas, sim, eu sentia saudades todos os dias, pois sou muito apegada à minha família. Mesmo distante consegui me fazer presente na vida deles. Eu ligava para meus pais, às vezes eles vinham me ver, sempre que possível eu ia passar o fim de semana com eles. Ao mesmo tempo a minha rotina era tão corrida, tudo era tão novo, eu dividia a casa com outras 10 ou 15 garotas, tinha de conciliar os estudos com os treinos. Era tanta coisa para me ocupar que, no fim do dia, eu estava cansada e não tinha muito tempo para sofrer.
Pinheiros Qual foi a sua primeira Olimpíada?
Beatriz – Foi a do ano passado, 2024, em Paris. Eu cheguei a disputar vaga para a Olimpíada de Tóquio, em 2020/2021. Fui adiante até o último segundo, a disputa foi muito acirrada, a decisão foi por pontuação e a vaga ficou com a Maria Suelen, que hoje é minha técnica aqui no Pinheiros. Mas a minha primeira vivência olímpica foi no Rio, em 2016. Fui como sparring da Maria Suelen. Eu a ajudava nos treinos, nos ajustes para a Olimpíada.
Pinheiros Não ter conseguido a vaga para Tóquio mudou seu treinamento?
Beatriz – Sim, eu passei a focar cada vez mais na Olimpíada de Paris, meu sonho era estar lá.
Pinheiros Você chegou em Paris como uma das favoritas? Como foi?
Beatriz – Eu era uma das favoritas pois já era conhecida no mundo do Judô por causa dos campeonatos mundiais, então eu estava na briga, mas peguei uma chave muito forte, só as melhores do ranking — eu era a quinta na época. Na semifinal e na final disputei com a segunda e a primeira do mundo. Foram lutas duríssimas, mas deu tudo certo!
Pinheiros E qual foi a sensação de ganhar a medalha de ouro na sua primeira Olimpíada?
Beatriz – É um mix de sensações e sentimentos, impossível definir com apenas uma palavra. É alívio, muita felicidade, foi muito sacrifício, a gente entrega muita coisa em troca desse desejo, desse sonho. Quando acaba, a gente tira um grande peso dos ombros. Para ser atleta de alto rendimento a gente abre mão da família, convive com dor 24 horas por dia, treina com dor. Tem de superar todos os limites. Diante de uma realização dessas, que é a maior realização para um atleta de alto rendimento, é um sentimento de gratidão, alívio, felicidade, tudo junto. Assim que a luta terminou, me colocaram em uma chamada de vídeo com meus pais e não tinha como não chorar. Eles sempre foram a minha maior inspiração, meus exemplos. Pouco tempo antes da luta eu tinha perdido a minha avó, então foi tudo em homenagem a ela. Foi uma emoção muito grande.
Pinheiros O que mudou na sua vida após a medalha de ouro?
Beatriz – Mudou principalmente a rotina, agora tenho muitas palestras e eventos para fazer, conciliando com os treinos e o descanso. Estou conseguindo conciliar tudo muito bem com a ajuda de uma agência que administra meus compromissos e que trabalha em conjunto com a comissão técnica do Clube. A gente faz tudo com cuidado. Com isso estamos conseguindo dominar essa parte de agenda para tudo dar certo.
Pinheiros E os treinos? Você deu uma pausa após a Olimpíada?
Beatriz – Não, eu cheguei e já comecei a treinar de novo, pois tinha uma competição no final do ano passado, o Grand Prix Nacional de Judô, pelo Clube. Como eu tinha esse compromisso, tive um período curto de descanso e já comecei a treinar. No final do ano passado tirei uns dias de férias e voltei em janeiro para fazer o primeiro semestre de competições.
Pinheiros Este ano você participou de competições internacionais?
Beatriz – Sim, este ano estive em três competições internacionais, uma delas foi o Campeonato Mundial. Eu não tive bom resultado, mas nós estamos tranquilos em relação a isso, pois estamos voltando de um ciclo muito pesado e desgastante e vamos nos recuperando aos poucos. Agora o foco será treinar para chegar cada vez mais forte nas próximas competições.
Pinheiros Como será o treinamento para a próxima Olimpíada?
Beatriz – Tem de treinar mais, com certeza. A partir do ano que vem, a meta é mirar totalmente no planejamento olímpico, retomar as lutas internacionais, participar de mais competições e afinar os detalhes técnicos.
Pinheiros Teremos mudanças, então?
Beatriz – Eu quero, sim, mudar algumas coisas, quero evoluir meu Judô sempre em busca de melhorias, também para surpreender as adversárias. Vai ser um ciclo de muito trabalho e dedicação. Mas vai ser muito gostoso.
Pinheiros Na próxima Olimpíada você será o foco de todas as judocas. Como você vê isso?
Beatriz – Com tranquilidade. A Olimpíada é uma competição muito especial, diferente. Lá, todo mundo se torna favorito, com chances de ser campeão, então a gente nunca sabe o que esperar, nem como será o pódio olímpico. A minha meta de mudar um pouco meu Judô é porque gosto de evoluir, de mudar, é importante pensar sempre em crescer e melhorar. Quero ajustar ainda mais meus golpes, deixá-los mais perto da perfeição. Quanto mais treinamentos, melhor o nosso rendimento. Além disso, a parte física e nutricional são importantes para essa evolução. Não podemos ficar na nossa zona de conforto. Temos sempre de buscar essa evolução. Com isso, acabamos também surpreendendo as adversárias, o que é um bônus.
Pinheiros Como é a sua relação com o Esporte Clube Pinheiros?
Beatriz – Eu já tenho 12 anos de casa, cheguei aqui com 15 anos. O Clube mudou e moldou o meu Judô. Foi aqui que conquistei meus grandes e maiores resultados. Eu cresci aqui dentro. A minha primeira medalha em campeonato mundial eu conquistei aqui dentro do Clube.
Pinheiros É uma relação forte, então?
Beatriz – O Pinheiros é a minha casa. Passo mais tempo aqui do que onde moro. O Pinheiros é a minha primeira casa, a minha família. O Clube sempre me deu grandes técnicos, grandes treinadores, sempre cercada de excelentes profissionais, desde a comissão técnica até a comissão multidisciplinar, como nutricionistas, fisioterapeutas. O Pinheiros é um grande lar para mim, é a minha casa.
FOTO: RAFAEL DE FREITAS/ECP
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