Conheça Camila Maluf, associada do Pinheiros que chegou ao alto rendimento no Voleibol

Conheça Camila Maluf, associada do Pinheiros que chegou ao alto rendimento no Voleibol

29/09/2025 29/09/25

Ponteira formada nas categorias de base do Clube retorna às quadras após sete anos e fala em dedicação dia após dia para alcançar os sonhos

O sonho de se tornar atleta profissional em qualquer esporte é uma realização que atravessa diversos obstáculos, e, além da persistência, é necessário acreditar que é possível chegar ao objetivo. É assim que a associada Camila Maluf, de 27 anos, chega ao maior desafio de sua carreira: representar o Esporte Clube Pinheiros como jogadora da equipe adulta de Voleibol. 

Camila vem de uma família pinheirense. Seus avós e também seus pais, Beatriz e Ivan, são associados do Clube e cultivaram desde muito cedo sementes esportivas e culturais que foram passadas de geração para geração. Dos quatro até os dez anos de idade, Camila participou do CAD (Centro de Aprendizado Desportivo). Na sequência, seguiu para o Handebol, em que chegou até a ser federada. Porém, ao mesmo tempo em que jogava Handebol no Clube, Camila experimentava o Vôlei nas aulas de educação física da escola em que estudava. Foi aí que percebeu que o Vôlei tinha mais a sua cara.

“Já me destacava pela altura e me encantei com os desafios técnicos desse esporte. Percebi que o Vôlei tinha mais a ver comigo, que eu queria levar o Vôlei mais a sério”, comentou a jogadora, que na época tinha treze anos de idade.

Ao mudar para o Vôlei, Camila passou por diversos profissionais que marcaram sua trajetória, entre eles seu primeiro técnico, Eduardo Gonçalves, o Gordo, que depois viria a ser seu treinador também na faculdade.

“Desde o início encontrei um clima muito gostoso no Vôlei. Jogava no time exclusivo para associadas e comecei a me destacar. Foi paixão à primeira vista, e tive a oportunidade de ir subindo de categoria conforme a passagem dos anos”, detalhou.

Camila e o técnico Eduardo Gonçalves

O contato com as jogadoras militantes também deu uma motivação a mais para que Camila pudesse chegar ao alto rendimento. Em 2014 veio o convite oficial para integrar a equipe federada Sub-19 do Clube.

“Naquele primeiro ano como atleta federada, eu tive um choque técnico muito grande. As meninas eram realmente muito boas, porém isso não me inibiu, percebi que eu queria ser igual a elas. Nesse ano, joguei pouco, mas tive um salto de nível muito grande, já que treinava com elas todos os dias”, comentou. A jogadora permaneceu na categoria por dois anos, sendo a única atleta associada a integrar aquela equipe. Foi no segundo ano, em 2015, que a carreira como jogadora de Vôlei despontou. Camila foi campeã paulista Sub-19 como titular e integrou a equipe Sub-21 também campeã naquele ano.

Enquanto a carreira de atleta se desenvolvia a passos largos, Camila também era muito centrada nos estudos na escola. “Era uma prioridade em casa e eu peguei gosto desde cedo. Sempre fui aplicada no quesito acadêmico. Não era fácil conciliar com uma escola exigente, mas ter minha família apoiando essa intensa rotina — inclusive com caronas e outros desdobramentos — foi fundamental”, disse.

Ao final da escola, de forma paralela, Camila passou no vestibular para administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas, uma das faculdades mais conceituadas do País. No primeiro momento, conciliou os treinos e os estudos da graduação:

“Acordava às 5h30 para ir para a aula às 7h, depois ia para os treinamentos de Voleibol. Treinava com a minha equipe Sub-21 e também com o adulto quando era chamada. Foi nesse momento que cheguei à equipe principal do Clube, o que foi um sonho realizado. Participei de alguns jogos do Campeonato Paulista e da Superliga naquele momento, mas não durou muito tempo porque no fim de 2017 concluiria a base e, em 2018, já seria 100% adulto, não sendo mais possível conciliar com a faculdade”, contou.

Contente e instigada com os desafios acadêmicos, Camila optou por seguir os estudos e acabou deixando a equipe adulta de Voleibol no final de 2017. A atleta, porém, continuava jogando de forma amadora na faculdade. E, por coincidência, novamente o “Gordo” estava em seu caminho: foi o treinador de Camila na faculdade e nos jogos universitários.

“Ele foi meu primeiro treinador, lá em 2011, e acompanhou cada passo da minha evolução. Em 2015 ele voltou a ser meu técnico quando estava na Federação. Ele acreditou em mim. Esse foi um outro capítulo da nossa história, e coube ao destino nos colocar frente a frente novamente na faculdade. Por muitos anos conseguimos fazer um trabalho muito legal de treinos e de desenvolvimento”, comentou Camila, que ressaltou o principal aprendizado com o treinador.

“Ele é um técnico muito humano. Sempre trabalhou para aprimorar nossa performance e nível técnico, mas, principalmente, para que fôssemos seres humanos melhores, pessoas íntegras. Esse é um grande aprendizado que ele deixou para mim”, detalhou Camila e completou. “É o dia a dia trabalhando que permite colher coisas lá na frente”, destacou.

Em 2021, Camila se graduou como administradora de empresas e seguiu no ramo trabalhando em uma multinacional. Mesmo não fazendo mais parte do time da faculdade, continuou jogando de forma amadora e, nos dois últimos anos, recebeu um convite para jogar o campeonato Sul-Americano de Clubes pelo Atlético Barbato do Uruguai, chegando a enfrentar o Praia Clube de Uberlândia (MG). 

Em 2025 a atleta foi a maior pontuadora de todo o campeonato e, sentindo-se realizada dentro de quadra, deu espaço para realizar novamente o sonho de ser jogadora, saindo do emprego em que estava. Ao ser procurada por outros clubes nesse retorno, rejeitou propostas para poder jogar pelo Pinheiros, clube que a revelou para o cenário do Voleibol.     

Porque para ela, vestir a camisa do ECP é ainda mais especial. 

E a mensagem que a atleta deixa para os associados que um dia desejam chegar ao alto rendimento é: “Sonhar. Temos que deixar que nossos sonhos conduzam a gente. O esporte sempre fez parte da minha vida, proporcionando alegrias. O Clube abre muitas portas e traz muita inspiração, você respira esporte. Esse ambiente te instiga. Andamos pelas alamedas e encontramos pessoas que foram medalhistas, que estão na TV, e isso nos motiva muito. Então, é agarrar todas as oportunidades e acreditar que tudo tem o seu momento”, finalizou. 

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