Isaac Souza: “Vou voltar melhor que era antes”

Isaac Souza: “Vou voltar melhor que era antes”

Saltador do Pinheiros já está recuperado da lesão no cotovelo

05/03/2025 05/03/25

Ele é indiscutivelmente o melhor do Brasil. Ganha todos os campeonatos que disputa no País e era uma das esperanças do Saltos Ornamentais em Paris. No entanto, o agravamento de uma lesão no cotovelo o tirou da Olimpíada no ano passado. Agora, quase 100% recuperado, ele não esconde para ninguém que seu maior sonho é ir para a Olimpíada de Los Angeles bem melhor do que era antes, além de mais experiente e buscando sucesso no trampolim de 3 m.

Aos 25 anos, Isaac Souza dá seu depoimento à reportagem da revista Pinheiros. O craque dos Saltos Ornamentais conta um pouco de tudo na sua vida. Inicialmente, fala do carinho que tem pelo Atletismo e Ginástica Artística, e o sonho de ser tenista, que não realizou por falta de dinheiro. Mas ele se identificou mesmo no esporte nos Saltos Ornamentais. 

Fala com carinho sobre a relação de amizade que tem com Ingrid de Oliveira e Giovanna Pedroso, ambas colegas no Pinheiros e na Seleção Brasileira, do carinho da família dos Saltos, acrescendo a admiração que tem pelo técnico Ale Ferrer.

Isaac começou a praticar a modalidade em 2010, aos exatos oito anos, por influência de um amigo da Mangueira, onde mora.  Disputou o primeiro Campeonato Brasileiro aos nove anos, na piscina externa do Pinheiros. Desde então, traçou uma carreira regada de sucesso e conquistas. E tem como maior meta nesse novo ciclo olímpico subir ao pódio em Los Angeles.


Pinheiros Quando aconteceu a contusão, ainda treinando, o que veio à sua cabeça? “Estou fora da Olimpíada”?
Isaac Minha lesão aconteceu durante uma sessão de treino. Na hora, eu havia feito um salto de 10 m e, ao finalizá-lo dentro d’água, senti uma dor muito forte no meu cotovelo esquerdo. Eu já vinha sentindo dores intensas nos treinos, mas aquela foi a pior que já havia sentido até então. Quando saí da água, fui direto para o chuveiro da piscina, pois a água quente costumava aliviar a dor e me permitia voltar a treinar. No entanto, naquele dia, nada fazia a dor diminuir. Naquele momento, não cogitei a possibilidade de estar fora das Olimpíadas. Como já vinha sentindo dores durante os treinos, mesmo que aquela estivesse mais intensa, minha cabeça estava tranquila. Só depois que soube da gravidade.

Pinheiros Como você descreve essa situação como atleta olímpico, treinar um ciclo inteiro e não poder competir?
Isaac É muito frustrante saber que todo o esforço e dedicação simplesmente terminaram em frações de segundo. Ainda mais porque 2023 foi o meu melhor ano em termos de resultados esportivos: fui finalista três vezes em competições internacionais, incluindo o próprio Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, em Fukuoka, no Japão, que garantiu minha vaga para as Olimpíadas de Paris 2024.

Pinheiros Como os Saltos Ornamentais surgiram na sua vida? Quando criança, seu sonho era saltar ou jogar Futebol?
Isaac Os Saltos Ornamentais entraram na minha vida de uma forma inusitada. Até então, eu não conhecia a modalidade e nunca tinha ouvido falar sobre esse esporte. Após sair da Ginástica Artística, no Flamengo, onde treinei por quatro anos, comecei a buscar outra carreira esportiva. Durante esse período, fiz Natação e Atletismo para não ficar parado, mas, na verdade, meu desejo era tentar uma carreira no Tênis de quadra. No entanto, meus pais não tinham condições financeiras para bancar aulas ou um possível patrocínio. Foi então que um amigo, que também havia saído da Ginástica Artística, me apresentou ao esporte. A mãe dele ligou para a minha mãe, explicou tudo certinho, e a avaliação para ingressar nos Saltos Ornamentais aconteceu no Parque Aquático do Maracanã, bem perto de casa. Fiz a avaliação no dia 6 de agosto de 2010 e, desde então, estou no esporte.

Pinheiros Qual a importância da sua mãe no processo de recuperação?
Isaac Minha mãe me ajudou de uma forma que eu nem imaginava precisar. Foi cansativo ter que pedir ajuda para tudo, mas ela nunca hesitou em nenhum momento. Estava sempre disposta a cuidar de mim, todos os dias, sem descanso.

Pinheiros Quem mais esteve ao seu lado nesses meses pós-cirurgia?
Isaac Meus pais. Eles estavam disponíveis 24 horas por dia para me ajudar, sempre com um sorriso no rosto. Precisei de auxílio para me vestir, tomar banho e, muitas vezes, até para comer.

Pinheiros É verdade que você deixou a plataforma de 10 m e vai se especializar no trampolim de 3 m?
Isaac Para este ciclo de 2028, eu e meu técnico (Ale Ferrer) decidimos que vou me dedicar ao trampolim de 3 m. Já havíamos planejado essa transição após as Olimpíadas de Paris 2024, por conta do meu cotovelo. Com a necessidade da cirurgia, essa decisão se confirmou. Isso não significa que eu não possa competir no sincronizado na plataforma ou, quem sabe, voltar para o individual no futuro. Mas, para este ciclo, meu foco será no trampolim de 3 m.

Pinheiros Você, Ingrid e Giovanna parecem uma família. Como é essa relação?
Isaac Sim, somos como uma família. Nossa amizade começou em 2013, quando fomos competir no Ting Cup, na China. Naquele ano, fizemos duas viagens para lá: uma de dois meses e outra de dois meses e meio. Moramos juntos em uma casa, o que nos aproximou bastante, principalmente porque éramos os mais novos do grupo. Desde então, temos participado ativamente da vida um do outro, tanto no lado profissional quanto no pessoal.

Pinheiros  Quais são os seus planos para garantir presença em Los Angeles 2028?
Isaac Não são muito diferentes dos planos que tracei para me classificar para as duas últimas Olimpíadas. Mas, depois de tudo o que aconteceu comigo, minha disciplina, dedicação, atenção, comprometimento e vontade de fazer sempre o meu melhor aumentaram ainda mais.

Pinheiros  Percebemos que você escuta muito o Ale Ferrer. Além de técnico, ele parece ser um conselheiro na sua carreira?
Isaac O Ale é um excelente profissional. O pai dele treinou grandes nomes, como Juliana Veloso, Hugo Parisi e, se não me engano, César Castro. O Ale aprendeu muito com ele, e tudo o que ele fala em termos profissionais eu escuto atentamente, pois sei que seus ensinamentos vêm de uma base muito sólida.

Pinheiros  Faz um ano que você é atleta do Pinheiros. Como é vestir a camisa do clube mais olímpico do Brasil?
Isaac É um orgulho enorme. Fazer parte de um clube tão grande é incrível. Antes de entrar, eu não tinha noção da verdadeira dimensão do Pinheiros, apesar de já ter competido lá algumas vezes. Saber que outros atletas olímpicos e medalhistas mundiais treinam no mesmo clube que eu eleva o nível de profissionalismo.

Pinheiros  Para quando está previsto seu retorno às competições no trampolim?
Isaac Em 2025, eu e meu técnico decidimos que o foco será minha recuperação, minha base e a adaptação aos novos saltos no trampolim. Vou competir algumas etapas estaduais pelo Pinheiros, mas minha principal competição do ano será a Taça Brasil, no Rio de Janeiro.

Pinheiros  Se não fosse atleta dos Saltos Ornamentais, qual esporte seguiria?
Isaac  Provavelmente continuaria no Atletismo, porque já estava começando a ter bons resultados quando treinava. Lembro que, quando minha mãe comunicou ao professor que eu sairia do Atletismo, ele ficou muito sentido, pois via um grande potencial em mim. Mas, como eu tinha apenas três meses na modalidade, ainda não havia criado um vínculo tão forte quanto o que tive com a Ginástica Artística.

Nome – Isaac de Souza Filho
Modalidade- Saltos Ornamentais
Participações olímpicas – Tóquio (2021) – Paris (2024)  impedido por lesão
Nome do pai- Isaac Souza
Nome da mãe – Elizelba Souza
Local de nascimento – Rio de Janeiro (RJ)
Data – 23/6/1999
Altura- 1,63 m

CONQUISTAS
2017 – Prêmio Brasil Olímpico de Saltos Ornamentais
2018 – Prata nos Jogos Sul-Americanos – 10m individual
2019 – Bronze Jogos Mundiais Militares por equipe
2019 – Bronze Jogos Pan-Americanos de Lima – 10m Sincronizado
2019 – Ouro Grand Prix

FOTO: DIVULGAÇÃO

Financeiro