Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, conheça as pinheirenses que fizeram e fazem história no Clube
Imagine as primeiras décadas do século passado, quando o esporte era uma atividade para homens e as moças “de bem” não se expunham. Portanto é compreensível que, em 1917, na capital paulista, causasse alvoroço ver mulheres jogando Tênis. E o espanto se convertia em escândalo quando uma delas dava as suas raquetadas trajando uma saia “curta demais”, que deixava à mostra as canelas.
Lilly Voss, atleta do então Sport Club Germania, corava os espectadores com a sua ousadia. Foi a primeira de uma estirpe de mulheres ligadas ao ECP que ajudaram a abrir caminho, garantir espaço e presença feminina em atividades em que antes só pontuavam homens.
Estamos falando de mulheres que, com seus feitos em quadras, campos, pistas e tatames, simbolizam tão bem o 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Mas não só delas, das campeãs, das medalhistas. Falamos também de outras vencedoras, as das batalhas cotidianas, as das vitórias silenciosas, das que mandam bem em seus diversos papéis. Mulheres que estão no dia a dia do Clube ajudando a construí-lo e fazê-lo vencedor. Eis algumas delas.
O TOPO
O Judô ainda é visto como um esporte predominantemente masculino na opinião de Beatriz Souza, a Bia. “Mas essa percepção vem mudando.” É verdade. A própria Bia deu uma grande contribuição nesse sentindo conquistando a medalha de ouro nos Jogos de Paris, no ano passado. O feito a transformou na primeira atleta mulher do ECP a ganhar o ouro olímpico. “Aos poucos, a gente está chegando aonde queremos, que é o topo.” Quem duvida?
Beatriz Souza comemora a medalha olímpica nos Jogos de Paris 2024
FOTO: ALEXANDRE LOUREIRO/COB
“SOU COZINHEIRA”
Gizelle Autran Duarte, a Gigi, é responsável pelo que os pinheirenses comem. Como diretora-adjunta de Restaurantes, ela não só ajuda a desenvolver os cardápios das lanchonetes e restaurantes do Clube como supervisiona a qualidade dos pratos e do serviço. “Sou das panelas, mas, na minha função, cuido de tudo, da cozinha ao salão.” O que pouco sabem é que sua relação com a culinária guarda histórias de pioneirismo.
No final dos anos 1970, ela acompanhou o ex-marido à Europa, onde ele foi tentar a sorte no automobilismo. E ela aproveitou para desenvolver a aptidão e o gosto pela culinária. Fez diversos cursos, como na renomada Le Cordon Bleu, em Paris. E, graças aos bons contatos, convenceu o presidente da Volkswagen do Brasil à época a transformar uma Kombi numa cozinha, formatando o conceito que hoje está por trás dos food trucks. Com a Kombi, acompanhava as corridas do circuito, alimentando pilotos e equipes.
De volta ao Brasil, ao ver seu amigo, o publicitário Roberto Justus, mandar buscar uma quentinha na hora do almoço para alimentar um cliente importante que visitava a agência, Gigi ficou horrorizada. “O Justus sempre teve paladar de criança, tipo bife e batata frita.” Propôs, então, que o amigo a chamasse nessas ocasiões. Ela se encarregaria de trazer o menu pronto e servi-lo aos convidados como manda o figurino. Surgia, assim, a empresa de catering de Gigi, que por anos levou sabor e serviço impecável a inúmeros eventos em São Paulo. Essa expertise orienta a sua atuação no Pinheiros. Perguntada se pode ser chamada de chef, ela esclarece: “Não, sou cozinheira”.
Gigi tem no currículo a renomada Le Cordon Blue
Foto: Arquivo pessoal
MAIS DE 24 HORAS
Uma das responsáveis pelo crescimento do Futebol Feminino entre os pinheirenses nos últimos anos, Fernanda Themudo sempre foi voz ativa na vida do Clube, levando para fora do campo a liderança que exerce dentro dele jogando na posição de volante. Tem assento no Conselho Deliberativo e ali fez a apresentação do Plano Diretor de Obras, cujo trabalho de revisão contou com sua colaboração na condição de arquiteta. Natural, portanto, que sua indicação à Diretoria da Área de Relações Esportivas na atual gestão fosse um consenso.
A experiência à frente da Diretoria tem sido intensa, exigindo uma dedicação maior do que Fernanda imaginava. Desde então, vem experimentando um fenômeno comum à condição feminina contemporânea. Seu dia precisaria ter mais de 24 horas para dar conta de todos os papéis que exerce: mãe (de duas filhas), esposa, profissional de arquitetura, futebolista e dirigente do Clube. “Até me emociono quando penso nas meninas e como seria bom estar mais com elas.”
Sob o guarda-chuva de Relações Esportivas, Fernanda tem vinte modalidades, que representam um orçamento de R$ 20 milhões anuais e que são frequentadas por cerca de 15 mil associados, números que dão uma dimensão da sua responsabilidade. No dia a dia, ela vem aprendendo muitas coisas. Algumas delas bem práticas, de gestão, que agora aplica também ao escritório de arquitetura que divide com o marido. Outras, mais sutis, envolvem escolher as brigas e suavizar o estilo franco e direto. “Passei a escutar mais, explicar minhas razões e responder com outra pergunta ao interlocutor, para que ele se coloque no meu lugar e seja capaz de entender a minha posição.”
Fernanda Themudo com as filhas Manuela (esq.) e Olivia
Foto: Arquivo pessoal
TALENTOS INSUSPEITOS
Graziela Napoli sempre gostou de escultura. Um pedaço de casca de árvore já era suficiente para ser transformado em objeto por suas mãos habilidosas. O casamento e o nascimento dos quatro filhos colocaram a escultura em segundo plano. Filhos crescidos, ela retomou a paixão e “resolveu levar as pessoas junto nessa vibe”, como costuma dizer.
É o que tem feito à frente da Diretoria Adjunta da Mulher. Até então responsável principalmente pela realização de bazares, em sua gestão a diretoria ganhou outra dinâmica. Ao promover workshops e oficinas que envolvem técnicas artísticas como cerâmica, cartonagem, pinturas e colagens, entre outras técnicas, a intenção de Graziela é aproximar a comunidade feminina do Clube e promover conexões autênticas entre as participantes.
A experiência é um sucesso. Tem mostrado que a arte, além de socializar, é uma poderosa forma de as mulheres se desconectarem das pressões diárias, além de revelar talentos insuspeitos — como Graziela sempre soube. “Elas fazem coisas maravilhosas.”
Graziela: fazendo arte para as mulheres
Foto: Arquivo pessoal
BÚSSOLA
Associada do ECP desde que se conhece por gente, Maria Cristina Machado de Araújo é testemunha de como as mulheres vêm galgando espaço no Clube, processo do qual ela é participante ativa. Está no Conselho há mais de dez anos, já ocupou postos à frente do CAD, do Vôlei de base e na Ouvidoria, e hoje responde pela Diretoria de Área de Esportes Associativos. “É a primeira vez que temos mulheres comandando o esporte voltado aos associados. Isso, sem dúvida, é uma conquista”. Quando diz “mulheres”, ela se refere à colega Fernanda Themudo, que comanda a Diretoria de Relações Esportivas.
Maria Cristina começou a se envolver nos assuntos do Clube para preencher o tempo enquanto esperava pelo fim dos treinos das filhas. O que parecia uma ocupação sem grande compromisso ganhou corpo rapidamente. “Eu me interessei e não parei mais.” A experiência na Ouvidoria lhe deu, como costuma dizer, “um conhecimento gigante do Pinheiros e dos seus problemas”, que agora funciona como bússola para o trabalho que exerce.
Maria Cristina: mais de uma década de participação na vida do Clube
Foto: Arquivo pessoal
CLUBE DA LULUZINHA
A modalidade de Saltos Ornamentais no Pinheiros sempre foi um Clube da Luluzinha, ou seja, sempre contou com mais atletas mulheres do que homens. “Quando fazemos peneiras e aparece um menino, a gente até costuma dar preferência”, admite a técnica Fabiana Izumi Hashimoto. Os Saltos Ornamentais, em geral, costumam ter uma participação equilibrada de ambos os sexos. O fenômeno da forte presença feminina no Pinheiros se explica, segundo ela, pela modalidade ser comandada há décadas por técnicas.
Fabiana, que saltou pelo Pinheiros durante oito anos, começou a ser treinada no Clube por uma mulher. E há 25 anos está à frente da modalidade, dividindo hoje as aulas com uma outra técnica, Evellyn Wallace Winkler. Fabiana encara essa primazia feminina com naturalidade, pois nunca encontrou obstáculos em sua trajetória como atleta e técnica pelo fato de ser mulher. Outra curiosidade: ela diz preferir trabalhar com pupilos. “O homem costuma ser mais prático. A mulher fica de dengo”, explica. “E digo isso com conhecimento de causa: sou dengosa.”
Izumi: tradição feminina nos Saltos Ornamentais
Foto: Arquivo pessoal
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