Mulheres pioneiras no esporte

Mulheres pioneiras no esporte

28/01/2025 28/01/25

Saiba mais sobre a nova exposição do Centro Pró-Memória

Já pensando no Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o Pró-Memória inaugurou, nos muros da avenida Brigadeiro Faria Lima e também internamente, nos muros do Lago, uma exposição em homenagem às esportistas pinheirenses pioneiras no esporte. Os passantes têm a chance de ver fotos das associadas que se destacaram em diversas modalidades e abriram caminho para que outras atletas trilhassem rotas de sucesso, além de conhecer várias histórias de superação e conquista de espaço e direitos femininos. 

Já nas primeiras décadas do século XX, as atletas do Clube começam a causar impacto na história do esporte. A tenista do então Sport Club Germania Lilly Voss foi a primeira tenista brasileira a jogar com saia curta, o que era considerado um escândalo para a época, conforme registrado em uma fotografia de 1917, no Parque Antarctica.

Até o final dos anos 1920, as mulheres só iam às pistas de Atletismo para torcer. Esse quadro começou a se modificar a partir de 1929, quando o Germania, dando um passo à frente, forma uma equipe feminina e inicia os treinos. Nessa época apenas mulheres alemãs praticavam esporte, e por isso mesmo eram discriminadas. 

Diversos clubes em fins de 1930 começaram a organizar equipes femininas, mas tiveram dificuldades em decorrência do preconceito que envolvia a prática esportiva por mulheres. Em 1930, ocorreu no S.C.G. a 1ª Competição Atlética Feminina de que se tem notícia no Brasil, ainda em caráter não oficial, com a participação do Sport Club Germania e do Deutscher Wassersport Verein.

Logo no início das atividades atléticas femininas, um nome tornou-se destaque: Lotte von Schütz. Manchete de jornais da época noticiaram que, em uma competição interna de 1930, com apenas 16 anos, a esportista venceu cinco das seis provas disputadas: salto em distância, os 75 m, os 383 m, o arremesso do disco e do dardo. Lotte brilhou também durante a 1ª Competição Feminina de Atletismo — finalmente oficial —, na pista do Paulistano, organizada no ano seguinte pela Gazeta, e contando com a participação dos dois clubes alemães.

Juntamente com a nadadora Maria Lenk, a pioneira Lotte também se formou no I Curso de Educação Física de São Paulo, em que causavam estranhamento por apresentarem-se com calções para as aulas práticas. Aos poucos, as demais alunas foram adotando a novidade e, no final do curso, todo o grupo de formandas participou de uma apresentação vestindo calções, muito mais práticos do que as usuais saias abaixo dos joelhos.

As mulheres fizeram história também na famosa Travessia de São Paulo a nado. A prova era efetuada em uma distância de 5.500 metros, começava na Ponte da Vila Maria e terminava em frente ao Clube Esperia, onde hoje fica a Ponte das Bandeiras. Quatro das dezoito edições do evento, realizado de 1924 a 1944, tiveram nadadoras do Germania no topo do pódio: Lilly Richter venceu em 1939, 1940 e 1941, e Lieselotte Krauss venceu em 1942.

Travessia de São Paulo a nado em 1940

Equipe de Vôlei do Pinheiros em 1955. Na conquista do ouro no Pan-Americano de 1963, Joana conciliou o esporte e os cuidados com um filho de 4 anos. Joana Freire à esquerda de Coca (nº 12) e Vera Trezoitko (nº 13)

Nos Jogos Olímpicos, as primeiras participações femininas do Clube aconteceram já após a mudança do nome de Germania para Pinheiros. Foi em Londres 1948 que três atletas pinheirenses fizeram a estreia feminina do Clube no maior evento esportivo do mundo. Eleonora Schmitt, pela Natação, ficou em 6º lugar na finalíssima dos 4x100m livre. Clara Mueller, pelo Atletismo, ficou em 17º lugar no lançamento de peso (10.70m) e participou também nos 4×100, não obtendo classificação. Por fim, Lucila Pini participou pelo Atletismo, não obtendo classificação.

A nadadora Eleonora M. J. Schmitt, uma das três esportistas que estrearam a participação feminina do Pinheiros em jogos olímpicos na edição de Londres 1948

Nos Jogos Paralímpicos, a estreia feminina pinheirense aconteceu em Londres 2012, com a participação de Cláudia Cicero dos Santos Sabino no Remo. Desde então, Cláudia vem participando de todas as edições dos Jogos Olímpicos.

Já as primeiras medalhas olímpicas pinheirenses femininas foram conquistadas recentemente em Paris 2024. A judoca Larissa Pimenta conquistou a primeira medalha feminina pinheirense: o bronze individual (-52 kg) e também uma medalha de bronze por equipes. Já a judoca Beatriz Souza conquistou a primeira medalha de ouro feminina individual (+78 kg), além da medalha de bronze por equipes.


Conheça outras esportistas pioneiras 

Sylvia Nieszner Villari
Um dos primeiros destaques do Tênis pinheirense, conquistou o Campeonato Paulista na categoria juvenil, em 1943, e o bronze em duplas no Pan-Americano de 1951, em Buenos Aires.

Vera Trezoitko
Benemérita do Atletismo e campeã sul-americana em 1953. Recordista sul-americana de arremesso de peso de 1953 a 1961 (13,42m), recordista brasileira de peso, disco e dardo e campeã ibero-americana. Segundo lugar no arremesso do peso nos Jogos Pan-Americanos de 1951. No Vôlei, integrou também a equipe campeã sul-americana em 1951, no primeiro Sul-Americano de Atletismo, e também em 1956 integrou a equipe medalha de ouro no Pan-Americano de 1963. Nessa época formou o ataque considerado o mais possante do Brasil ao lado de Joana Freire.

Ingrid Metzner Drechsler
Tenista benemérita aos 17 anos, foi uma das atletas que mais precocemente recebeu o título. Foi bronze em duplas e individual no Pan-Americano de 1955, no México. Além disso, foi a primeira tenista brasileira a jogar em Wimbledon, em 1956.

Zilda Ulbrich
Teve reconhecida habilidade de liderança nas quadras de Vôlei e Basquete nas décadas de 1940 e 1960. Foi capitã em ambas as modalidades em todas as equipes que jogou. No Vôlei, foi tricampeã sul-americana e participou da seleção brasileira campeã nos Jogos Pan-Americanos de 1963. No Basquete, durante o Campeonato Mundial de 1957, no Chile, foi eleita a segunda melhor jogadora de Basquete do mundo. Foi a única pinheirense que conquistou o título de atleta benemérita em duas modalidades esportivas diferentes.

Joana Freire
Campeã sul-americana e pan-americana de Vôlei. Na conquista do ouro no Pan-Americano de 1963, era a única atleta casada da seleção e mãe de um menino de quatro anos. Só conseguiu participar porque o campeonato foi realizado em São Paulo e ela podia voltar para casa todos os dias, enquanto as demais permaneciam em concentração na Cidade Universitária. 

Rita Hasselbach Assad
Nadadora benemérita, recordista sul-americana do revezamento 4×100 em quatro estilos. Vice-campeã sul-americana dos 100m borboleta, em 1960. Em 1961, foi recordista brasileira de 100m peito com o tempo de 1’23”6. Iniciou as escolinhas de Natação do Pinheiros em 1967. 

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

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