Desde que empreendeu, nos anos 1990, uma bem-sucedida transformação pessoal, abandonando os excessos à mesa e o cigarro por uma vida equilibrada, Lucilia Diniz se converteu em uma fiel embaixadora da alimentação saudável e do bem-estar — uma influencer avant la lettre. Desde então, já publicou cinco livros sobre o tema, mantém um portal com mais de 100 mil inscritos em que oferece dicas, receitas e orientação nutricional, entre outros conteúdos, além de uma coluna de mesmo teor na versão digital de Veja, e soma 750 mil seguidores em seu perfil no Instagram.
O sucesso como divulgadora da causa se estendeu à sua atuação empresarial. Foi pioneira na criação de duas linhas de itens saudáveis e de baixa caloria, a Goodlight e Taeq, quando esse tipo de produto era raridade nas gôndolas do comércio de alimentos. Ambas se tornaram um atrativo e um poderoso diferencial para a rede dos supermercados Pão de Açúcar, que na época ainda pertencia à sua família. A iniciativa “ajudou a indústria a olhar com mais atenção para um público que hoje é muito expressivo”, garante Lucilia. Na entrevista a seguir, ela repassa sua trajetória pessoal e profissional, diz que não há fórmula pronta para conquistar uma vida equilibrada e fala de sua relação com o Esporte Clube Pinheiros, do qual é praticamente vizinha de porta.
Pinheiros Perto dos 40 anos, você chegou a pesar 120 kg e a fumar três maços de cigarro por dia. O que a fez dar um basta nos excessos e abraçar a vida saudável?
Lucilia Diniz – Não foi nada específico. O senso comum muitas vezes nos leva a achar que a faísca da mudança surge a partir de uma situação crítica, como um diagnóstico médico ou algum embaraço público. No meu caso foi simplesmente uma vontade inexplicável de dar um basta no modo como eu estava vivendo. Sabia que meus hábitos eram errados havia muito tempo: comia mal e me exercitava pouco. Até que um dia me olhei no espelho e pensei: “É assim que quero viver o resto da minha vida?”. E mudei a chave. No meu caso acabou dando certo.
Pinheiros Muita gente falha na tentativa de abandonar velhos hábitos e estabelecer uma nova rotina. O que é fundamental para alcançar uma transformação bem-sucedida como a sua?
Lucilia – É manter a vontade de perseverar, mesmo diante de tropeços eventuais. O importante é viver um dia de cada vez, mantendo o saldo do esforço sempre positivo. Haverá percalços e derrapadas, dias em que vamos errar. Nessas horas, é preciso respirar fundo, entender que o erro não significa fracasso e seguir adiante. Bola pra frente!
Pinheiros O que a sua experiência lhe ensinou?
Lucilia – Aprendi que não existe fórmula para ganhar saúde que sirva para todos. Cada um é cada um. Há quem não viva sem um pãozinho francês pela manhã — meu caso! —, outros adoram chocolate — algo que dispenso —, há os que amam vinho e os que são apaixonados por alta gastronomia. O importante é reconhecer o que faz parte da sua identidade e encontrar formas de compensar. Também é fundamental desenvolver estratégias individuais para que a mudança funcione no longo prazo, ou melhor, para toda a vida.
Pinheiros Você faz há anos um trabalho de divulgação de informações sobre alimentação e vida saudáveis. No geral, você acha que o nível de conhecimento da população melhorou sobre esses assuntos?
Lucilia – Melhorou muito e fico feliz de ter feito parte desse movimento. Quando comecei, a internet ainda era discada! Não havia smartphones, redes sociais, influencers… nada disso! Para ser uma voz nessa área, era preciso ter uma história autêntica e buscar parcerias com veículos de comunicação que faziam uma curadoria muito séria de conteúdo. Hoje, o nível de informação melhorou muito, mas o grau de desinformação escalou da mesma maneira. Há muitas promessas vazias na internet. Por outro lado, é inegável que a maioria das pessoas se exercita mais e mantém algum tipo de protocolo alimentar à mesa para evitar exageros — especialmente as gerações millennial e Z, que incorporaram mais cedo hábitos saudáveis ou menos agressivos ao corpo e à mente.
Pinheiros Você acha que há uma relação entre poder aquisitivo e alimentação de qualidade?
Lucilia – Infelizmente, sim. Em bairros periféricos nem sempre há oferta boa e variada de alimentos saudáveis, começando pelas verduras e hortaliças frescas. Mas isso vem mudando à medida em que as pessoas se conscientizam e exigem alternativas melhores. Há também um movimento interessante de hortas comunitárias surgindo em terrenos degradados e sem uso nas cidades. Tenho visto projetos sociais nessa linha que são admiráveis. Sou otimista. Com mais informação circulando e com o desejo crescente de fazer do alimento o melhor combustível e remédio para o corpo, teremos um futuro melhor.
Pinheiros Muitos especialistas dizem que emagrecer é gastar mais calorias do que se consome. Essa matemática continua valendo?
Lucilia – Em parte sim, mas não conta toda a história. Mais importante do que fazer contas é incluir no cardápio alimentos ricos em proteínas e fibras, que muitas vezes são negligenciados. Quando a alimentação é mais balanceada, fica naturalmente mais fácil evitar calorias vazias. E o corpo passa a funcionar muito melhor, com mais energia e disposição.
Pinheiros Até que ponto o ideal estético magro contribui para distúrbios alimentares?
Lucilia – Já contribuiu mais, quando a perda de peso era almejada sem preocupação com ganho de saúde e massa muscular. Hoje, o arsenal terapêutico evoluiu muito, com medicações mais seguras que favorecem a saciedade e a perda de peso de forma menos sofrida e traumática.
Pinheiros Medicamentos como as canetas emagrecedoras estão mudando nossa relação com a comida?
Lucilia – Depende da relação que se estabelece com esses remédios. Para muita gente, esses medicamentos ajudam a manter o prazer de comer, mas de forma mais moderada. No exterior, restaurantes estrelados já oferecem meias porções para atender a esse público, que quer manter a forma sem abrir mão do prazer gastronômico.
Pinheiros O que a levou a criar duas marcas de alimentos saudáveis de grande sucesso, a Goodlight e a Taeq?
Lucilia -A Taeq foi uma evolução natural da Goodlight, que nasceu da minha percepção sobre a falta de alternativas nas gôndolas dos supermercados para quem quisesse se alimentar de forma mais responsável. Na época, a maioria dos produtos industrializados tinha excesso de açúcar, gordura e farinha refinada. Calorias vazias de mais e informação nos rótulos de menos. Era difícil para quem buscava a boa nutrição. Com muito trabalho, inclusive de convencimento da própria indústria, consegui criar o maior portfólio de produtos saudáveis e de baixas calorias da América Latina, com mais de 300 itens. Esse movimento deixou um legado para todo o setor. Inspirou consumidores a se informarem melhor e ajudou a indústria a olhar com mais atenção para um público que, hoje, é muito expressivo.
Pinheiros Qual é a sua relação com o Esporte Clube Pinheiros?
Lucilia – Meu irmão, Abílio, frequentava mais do que eu. Minha infância não foi marcada por atividade física. Clube, para nós, era mais um lugar de socialização. Acabei voltando ao Pinheiros depois de muitos anos, a convite do meu marido, Luiz Trabuco. Hoje, vejo o Clube praticamente como um anexo da minha casa, já que moramos na frente.
Pinheiros Qual é a sua rotina de exercícios?
Lucilia – Basicamente, esteira, elíptico e ginástica funcional todos os dias. E longas caminhadas nos fins de semana.
Pinheiros Qual é a sua definição de vida saudável?
Lucilia – Viver bem, alimentando-se com qualidade, exercitando o corpo, mantendo as emoções equilibradas e a mente afiada — e se divertindo muito no processo.
Pinheiros Qual é o seu prato preferido?
Lucilia – Qualquer um que seja capaz de aproximar pessoas, família e amigos.
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