O caminho para a prática de esporte

O caminho para a prática de esporte

29/09/2025 29/09/25

O Esporte Clube Pinheiros, com sua longa tradição em esporte, criou, há 53 anos, o Centro de Aprendizado Desportivo, conhecido como CAD, que tem por objetivo mostrar, de forma lúdica e recreativa, as modalidades mais conhecidas do Clube, como Vôlei, Basquete, Handebol, Atletismo, Ginástica Esportiva, Judô, Saltos Ornamentais, Remo e Canoagem, Esgrima, Xadrez e Rachão, entre outros.

O CAD, que hoje tem 1.030 inscritos, aceita crianças típicas e atípicas associadas de 3 a 10 anos. Dos 3 aos 6 anos, os alunos fazem atividades relacionadas às modalidades esportivas, mas de forma lúdica, apenas para desenvolver habilidades motoras e cognitivas. Dos 7 aos 10 anos, aprendem mais sobre as modalidades. “A partir daí, são encaminhadas para as escolinhas específicas”, informa Ana Celia Osso, supervisora do CAD.

Foi por meio do CAD, por exemplo, que Arthur Caffaro Giuzio Dantas, de 24 anos, conheceu o Triatlo, que se tornou seu hobby. “A importância do CAD nessa atividade que pratico hoje foi de ensinamento, noção de coordenação motora, de resistência para o esporte, a competitividade e a alegria de estar sempre em movimento”, diz o associado, que é formado em Economia e trabalha com Marketing.

Arthur relembra que, depois de sair do CAD, durante alguns anos fez Natação e Futebol, além de Basquete, que praticou dos doze até os dezessete anos, quando começou a faculdade, o que fez com que diminuísse o ritmo. Até que, em 2020, começou a pandemia e ele sentiu necessidade de praticar algum esporte. “Isso foi consequência do meu costume de muito volume de treino desde os dez anos”, afirma. “Então, comecei a correr por conta própria, resolvi me desafiar em uma meia-maratona e decidi buscar um professor qualificado”. O primeiro nome de que se lembrou foi de um ex-professor do CAD, e os dois começaram os treinos. Em 2023, ao assistir a uma prova do Ironman, a antiga vontade de fazer Triatlo voltou e, com o professor, desde então vem treinando para isso. 

Apesar de não ser um atleta do Esporte Clube Pinheiros, ele está sempre por lá. “Eu frequento o Clube para tudo: treinar, comer, passar o tempo”, conta. “O que eu puder fazer no Clube, eu faço! Além disso, muitos dos meus amigos são pinheirenses também, então é um lugar em que a gente sempre se encontra.”


Crianças e adultos atípicos

Quando o associado é atípico, outra possibilidade é frequentar o PIP – Programa de Inclusão Pinheiros, que recebe pessoas de todas as idades e oferece atividades como Tênis, Natação, Atletismo e, desde setembro, Futebol. Atualmente, o PIP tem 17 inscritos, a maioria adultos. 

Marina Macedo Soares Resende, diretora adjunta de Acessibilidade e Inclusão, explica que um dos objetivos do PIP é acabar com o estigma, além de ajudar no desenvolvimento dos participantes. “Integrar as pessoas atípicas é muito importante”, diz. “Por isso mesmo estamos estudando colocar voluntários para fazer as aulas com eles, o que, sem dúvida, vai contribuir bastante para essa integração.”

Os integrantes do PIP
Foto: Divulgação


Analu participa do PIP
Foto: Arquivo Pessoal

Em busca do gol

Aos 5 anos, Ana Luiza passou a frequentar o Esporte Clube Pinheiros. Primeiro, fez escolinha de Natação. Depois, foi para o CAD, onde teve contato com vários esportes e acabou se integrando à escolinha de Tênis. A mãe, Glaucia David Monteiro, conta que nunca imaginou que essa modalidade esportiva pudesse ser inclusiva, já que Analu, como é mais conhecida, é portadora da Síndrome de Williams. “Ela também pratica outras modalidades, como nadar em piscina olímpica.”

Quando fez 11 anos, Analu saiu do CAD e começou a participar do PIP, que aceita associados PCD (Pessoa com Deficiência) de todas as idades e que usa o esporte como um dos pilares para a socialização e desenvolvimento.

No início de setembro, Analu, aos 12 anos, realizou um sonho ao participar da aula inaugural do primeiro time de futebol PCD da história do Clube. “Futebol é o meu esporte preferido”, conta a garota, empolgada com a nova experiência. Glaucia lembra que ela entrou na Escolinha de Futebol quando ainda estava no CAD, mas não conseguiu acompanhar os coleguinhas. “Agora, com o time PCD, ela vai poder jogar, como sempre sonhou.”

Analu estuda pela manhã e à tarde frequenta o Clube às segundas, quartas e sextas para praticar esportes. No sábado, costuma ficar na Brinquedoteca. Quando fala de seus programas preferidos no Clube, lembra logo do Parquinho Infantil. “Gosto de brincar lá”, diz. Em casa, Analu prefere ficar no computador, ler e assistir a filmes. Como filme favorito, ela cita Guerreiras do K-Pop

Glaucia explica que a relação da menina com esportes sempre foi incentivada pela família. Eles até se mudaram para perto do Clube para que Analu pudesse ir muitas vezes na semana participar de atividades esportivas e lúdicas. “O esporte faz bem para tudo e para todos, por isso sempre estimulamos a sua participação nas atividades oferecidas pelo Pinheiros.”

Analu e a mãe, Glaucia
Foto: Arquivo Pessoal


Inclusão e agenda cheia

Luis é praticante de Judô
Foto: Arquivo Pessoal

Para Luis Dias Lunardi, de 10 anos, o Esporte Clube Pinheiros é como se fosse o quintal de sua casa. Como ele, a irmã Cecília, de 7 anos, e a família moram perto, o Clube é um local aonde ele vai todos os dias desde os 5 anos de idade, quando se tornou associado. 

No começo, conta a mãe, Luciana Dias, ele fazia só Natação. Porém, ao ter contato com outras modalidades esportivas, Luis se interessou por Futebol, Judô e Ginástica Artística e também começou a frequentar as aulas. Uma agenda espantosa para um menino de 10 anos. Ainda mais no caso de Luis, que é uma criança atípica e frequenta turmas de alunos típicos.

“Foi ele quem se interessou, nunca forçamos nada”, explica Luciana. “Ele foi se interessando e pedindo para aprender, então, como achamos que a relação com esporte é sempre saudável, permitimos.” 

Para muitos, Luis é um símbolo de inclusão. A mãe concorda que, mais do que fazer amigos, a convivência de Luis com crianças típicas é um grande aprendizado tanto para o filho quanto para os parceiros das aulas. “Ela participa de tudo, acompanha os coleguinhas e pratica todos os exercícios.”

Nas aulas de Judô ele tem a companhia da irmã, Cecília. A menina pratica, além de Judô, Natação, Skate e Ginástica Artística. A mãe diz que a relação da família com o Esporte Clube Pinheiros começou com o marido, Ferdinando Lunardi, que é associado há anos e joga Tênis.

Luis ainda não tem noção de competição, então o esporte é como se fosse uma brincadeira. Por isso, não será surpresa se logo mais ele estiver tendo aula de mais alguma modalidade.

Cecília, irmã do Luis
Foto: Arquivo Pessoal


Como dois peixinhos

Joaquim, também conhecido por Joca, costuma ir nadar todos os dias. Exatamente por isso, aos 14 anos já é bem conhecido no Clube. Seu irmão, Bento, aos 11 anos também é fã de piscina e agora começou a praticar nado competitivo. Pode-se dizer que ele está seguindo os passos do pai, Marcelo Affonso, que é ex-jogador de Polo Aquático do Esporte Clube Pinheiros. O que diferencia os dois irmãos é que Joaquim faz parte do PIP – Programa de Inclusão Pinheiros, criado para promover a inclusão de crianças atípicas. O garoto tem uma síndrome, e uma das principais características dela é que a criança é autista não verbal. 

A mãe, Carolina Fernandes Lazareth, conta que ele entende tudo e se comunica por gestos, acrescentando que os meninos frequentam o Clube desde que nasceram. Ambos fizeram escolinha de Natação e, desde então, são assíduos nas piscinas, como dois peixinhos. Ainda mais porque moram bem perto do Pinheiros e não perdem uma oportunidade de praticar o esporte predileto. “Tanto que, às vezes, o Bento faz atividade no PIP para acompanhar o Joca”, explica.

Assim como todas as crianças, tem épocas em que ele não quer participar do PIP. “Parece que não quer receber ordens”, diz Carolina, rindo. Nessas ocasiões, Joca vai ao Clube apenas para nadar, ficando dentro da água por um bom tempo todos os dias. “Ele não abre mão de fazer o que gosta.”

Bento conta que pretende ser nadador profissional, ir para uma Olimpíada e ganhar uma medalha de ouro. “É o meu maior sonho”, diz. Bento frequentou o CAD – Centro de Aprendizagem Esportiva do Pinheiros, o que foi muito importante para ele. “Aprendi a conhecer e as regras de muitos esportes, como Futebol. São coisas básicas, mas que eu não saberia se não tivesse participado do CAD.” 

Entre todas as modalidades que ele aprendeu a conhecer, a que mais lhe agradou foi a Natação, por isso pediu para fazer nado competitivo. Ao eleger seu segundo esporte favorito, Bento cita Polo Aquático. “O mesmo de que meu pai foi jogador e, acho, ganhou alguns campeonatos.”

Joaquim e Bento são nadadores do Clube
Foto: Arquivo Pessoal

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