Saltos Ornamentais: Uma tradição centenária no Pinheiros

30/06/2025 30/06/25

Não é de hoje que a modalidade dos Saltos Ornamentais é uma das mais tradicionais do ECP. Vem desde 1930, com muitas conquistas e revelações de atletas olímpicos. E nada mudou nos dias atuais. Revelando talentos e formando equipes, o Azul e Preto continua sendo referência no País. Na sequência das reportagens do maior clube formador do Brasil, chega a vez dos Saltos. A modalidade tem a essência olímpica e o DNA pinheirense desde o século passado.

Os Saltos Ornamentais são a modalidade que se destaca pela combinação harmoniosa de acrobacias e mergulhos executados em uma piscina a partir de uma plataforma ou trampolins de diferentes alturas. Os saltadores precisam fazer séries de saltos e giros no ar antes de entrar na água com o menor número de respingos possível, um elemento crucial para conseguir boas pontuações e suas posições na competição. A água passa a ser um detalhe na finalização dos movimentos, graus de dificuldades que são itens que valem mais pontos para os jurados.

Para os atletas atingirem o alto rendimento, precisam de muitas horas, dias e meses de treinamentos repetitivos. Faça calor ou frio, o treino é sagrado em busca do resultado e da perfeição.

O Saltos Ornamentais é também a modalidade que consegue atrair muitos associados para o alto rendimento no ECP. Nesse caso, atualmente, destacamos Alice Oliver, Nicole Ryal, Lais Couto, Cauã Inserra, Sarah Carpinelli e Manuela Simonsen. Da mesma forma foi nas décadas passadas, com Edith Del Junco, José de Barros, Eleonora Schmitt, Oswaldo Lopes Fiore, Maria Carlota Rodrigues, Tizu Sato, Maria Sílvia Martins, Wilma Gonçalves e Evelyn Winkler.

Cuidado especial

Fabiana Izumi é a cara dos Saltos do Pinheiros. Foi atleta e técnica e há 35 anos faz parte da modalidade, agora como coordenadora e técnica. Izumi tem sua opinião definida, ressaltando o que é feito no Clube para ser grande, especialmente na base. E lembra de qual é o chamariz para atrair praticantes, especialmente associados.

“A seção promove todos os anos o Programa Saltando nas Férias, que ocorre em janeiro com a Vivência de Saltos e os Pulos Livres. A Vivência de Saltos é para todas as idades, dividida em horários e dias da semana, mas o objetivo é atrair crianças de 7 a 10 anos em busca de talentos para a modalidade. O Pulos Livres é aos finais de semana, e os associados podem pular nos trampolins e plataforma de 5 metros com a orientação dos monitores”, explica Izumi.

A seção Salto Ornamentais também tem uma parceria com o CAD – Centro de Aprendizado Desportivo, uma espécie de escolinha. Abre-se espaço para as turmas MultiEsportes vivenciarem a modalidade. E muitos têm um amor à primeira vista.


Quais são os desafios

“No verão, é uma maravilha, pois o calor contribui para as aulas serem mais divertidas e os treinos com motivação, porém temos o desafio das chuvas que impedem de cumprir o planejamento das aulas. Já no inverno é o frio, temos equipamentos para treinamento fora da água que preparam os saltos na água, mas o grande desafio dos professores é manter a motivação dos atletas, pois o local de treinamento é aberto”, continua Izumi.

Não é só a temperatura que traz problemas para os atletas. “Outro desafio é aprender a lidar com o medo, por isso é uma modalidade que precisa de muita repetição para que os movimentos se tornem seguros e deem confiança para a execução do salto. Aprender a lidar com a frustação das falhas dos saltos e das provas de competição e se tornarem resilientes”, completa Izumi.


Um eterno amor ao salto

Evelyn Winkler, ex-atleta, associada e técnica da base dos Saltos Ornamentais no Pinheiros, tem análise semelhante à da professora Izumi. E acrescenta os principais caminhos para o Clube ser o maior formador de atletas de Saltos no País. “No Clube, iniciamos a prática a partir de 7 anos, com as aulas da turma da iniciação. As crianças têm o primeiro contato com o esporte de forma lúdica e ao mesmo tempo desafiante. Nessa turma eles aprendem os primeiros saltos, os fundamentos básicos, desafiam as alturas, compreendem a estrutura e linguagem do esporte.”

E completa a fase de iniciação: “Na turma da iniciação eles participam dos eventos internos e do festival da Federação de forma opcional. A próxima etapa é a turma pré-competitiva a, em que as crianças já têm o gosto e o objetivo de representar o Pinheiros nas competições preparatórias para etapas paulistas e nacionais. É nessa turma que eles aprendem a dar saltos mais desafiadores”.

Há dois anos, além de reforçar o adulto com os olímpicos Isaac Souza, Giovanna Pedroso e Ingrid de Oliveira, o Pinheiros passou a contar com a base formada pelos técnicos Ana Paula Shalders e Ale Ferrer, com base no Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Outra novidade foi a contratação do cubano Disnardo Borrero, o Dingo, aumentando ainda mais o conhecimento de preparação para os atletas.


Prazer de saltar

Além do master, que é treinado também pela Fabiana Izumi, o Pinheiros tem uma galerinha que usa o salto como uma atividade física, por prazer. É o caso do trio juvenil formado pelos associados Lucas Sasahara, Bárbara Novi e Jorge Calixto. Começaram na escolinha, mas, pelo prazer da modalidade, e vão ao Clube de duas a três vezes por semana, fazem um treino firme, porém sem ter o objetivo de competir no alto rendimento. “Igual ao master”, adianta Izumi.

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