Não é exagero dizer que o advogado e empresário André Perego Fiore, 59 anos, o novo presidente do ECP, tem o Clube inscrito em seu DNA. Seus pais se conheceram no Pinheiros. Ele é filho do lendário Osvaldo Lopes Fiore, atleta de Saltos Ornamentais, que criou, nos anos 1950, os Aqualoucos, um time de palhaços saltadores que arrancava gargalhadas do público com suas estripulias sobre o trampolim. André e os irmãos cresceram no Clube e fizeram das suas alamedas o quintal de casa. Nos anos 1980, ele competia pelas cores do Pinheiros como atleta da Natação. Foi três vezes campeão brasileiro absoluto, vice-campeão pan-americano e participou de dois mundiais da modalidade defendendo a seleção brasileira. O atleta deu lugar ao sócio participativo da vida pinheirense. Completou duas décadas como membro do Conselho Deliberativo, já foi diretor em duas ocasiões e participou das Comissões Permanentes de Esportes e de Processamento e Julgamento. Essa experiência diversificada, ele sabe, agora será valiosa no comando da entidade. “Tive muito do Pinheiros. Chegou a hora de retribuir”. Seus planos estão detalhados na entrevista a seguir.
Pinheiros Por que o senhor decidiu concorrer à presidência do ECP?
André – Basicamente, por dois motivos. O primeiro é porque a minha família toda é do Pinheiros. Meus pais nasceram no Clube, se conheceram no Clube no comecinho da década de 1950 e se casaram. Eu e os meus irmãos crescemos no Clube, tivemos a nossa educação esportiva aqui. Meus maiores amigos são todos do Pinheiros. Meus filhos praticamente nasceram aqui, fazem esporte aqui. Tudo o que tenho em termos de família, de educação, de formação, de entendimento da vida esportiva e de como ela se ligou à minha vida profissional devo ao Pinheiros. Tenho enorme paixão pelo Clube, tive muito do Pinheiros e agora quero retribuir. Esse é o primeiro motivo. A segunda motivação é, digamos, um pouco mais filosófica. Acho que chega um momento da vida em que a gente alcança a plenitude. É quando você começa a entender que a sua vida faz muito mais sentido se você se dedicar mais aos outros. Estou nesse momento. Atingi uma situação confortável, que me permite dar vazão a essa vontade de me dedicar às outras pessoas, a esta cidade que é o Pinheiros.
Pinheiros Uma cidade de 40 mil habitantes…
André – É verdade! Quarenta mil pessoas com gostos diferentes, interesses diferentes, conflitos entre si. É um desafio, sem dúvida. Mas, como sempre fui esportista, aprendi a encarar desafios. Eles não me dão medo, não. Claro, é difícil, dá aquele frio na barriga, provoca ansiedade, coisas que como esportista enfrentava antes de qualquer competição. E é assim que encaro a presidência do Pinheiros, como uma competição.
Pinheiros Quais são as suas prioridades neste início de gestão?
André – A primeira coisa a atacar é a questão da manutenção e limpeza, porque isso está deixando a desejar no Clube. A gente está falando de um conceito de conservação. Vou olhar essa questão com muito carinho. Outra prioridade vai ser a conclusão de algumas obras que começaram e que precisam ser terminadas, principalmente aquelas ligadas à manutenção. A médio prazo, pretendo olhar com muita atenção para o esporte, no que se refere a forma como vem sendo conduzido. Estamos no início de um ciclo olímpico, o que é de suma importância para o Clube. Precisamos nos estruturar para enfrentar esse ciclo olímpico, construindo uma boa equipe para Olimpíadas de Los Angeles. Também vamos nos debruçar sobre a questão das filas, principalmente as filas nas atividades esportivas destinadas às crianças. Precisamos encontrar saídas para essa questão. E vamos encontrar, porque conto com uma equipe muito boa para me ajudar nesse sentido. Esses são os principais desafios de partida. Mas, claro, temos de olhar também o lado social, os veteranos, os jovens, os adolescentes, preciso me debruçar sobre o Plano Diretor e ver as obras de infraestrutura que podem ser iniciadas imediatamente. Enfim, vamos olhar tudo com carinho e ao seu tempo.
Pinheiros Em uma das suas primeiras manifestações, logo depois de eleito, o senhor falou que quer dar ênfase à educação esportiva das crianças. Como isso vai ser feito?
André – Na minha concepção, esporte é educação. Sempre achei que o esporte deveria integrar o Ministério da Educação, que deveria ser uma pasta dentro dele, não um ministério à parte. O esporte é complemento da educação. Há ensinamentos que somente o esporte proporciona, como responsabilidade, disciplina, resiliência, aprender a ganhar e a perder, a conviver com as frustrações. Praticar esporte é simular o que se vai enfrentar pela vida. Quero estimular a educação esportiva do jovem e da criança pinheirense criando meios de reduzir as filas para o ingresso nas atividades esportivas. Também acho fundamental melhorar o engajamento dos pais na atividade esportiva dos filhos. Os pais têm esse papel motivacional importantíssimo junto aos filhos, de mantê-los no esporte. O papel do Clube é mostrar aos pais que eles têm essa missão. Espero, junto dos meus diretores, fazer esse trabalho de estimular os pais. Que eles entendam não somente a importância de os filhos praticarem esporte, mas também de se manterem praticando esporte pelo maior tempo possível.
Pinheiros Sobre a filas, o senhor disse que uma das ideias para enfrentá-las é que o Clube busque parcerias. O que seriam essas parcerias?
André – A ideia é estabelecer parcerias com outros clubes no compartilhamento de espaços. Temos momentos, horários e áreas ociosos no Clube. Poderíamos propor acordos com instituições esportivas que usariam o nosso espaço em momentos ociosos e nós usaríamos os espaços deles nos momentos em que temos carência e necessidade. Também poderíamos estabelecer parcerias do tipo público-privada. Poderíamos construir em espaços públicos uma infraestrutura esportiva que utilizássemos e que também seria aberta ao público. Veja, são ideias em ebulição neste começo de gestão. Estou recebendo diversas sugestões, estou aberto a elas. Vamos avaliar todas com calma e carinho, estudando a viabilidade de implantação.
Pinheiros O senhor citou o ciclo olímpico que se inicia. Podemos esperar uma equipe olímpica do Pinheiros forte em Los Angeles?
André – Sem dúvida! Vamos investir no alto rendimento, no esporte olímpico. Esse é o DNA do Pinheiros. Para tanto, precisamos do apoio de todos, da diretoria, do Conselho Deliberativo. Vamos trabalhar para ter uma equipe grande e competitiva em Los Angeles não apenas porque esse é o nosso DNA. Todos os atletas de alto rendimento são exemplo, são um espelho para as nossas crianças e jovens. Muitas famílias compram o título do Clube justamente para respirar esse ar, conviver com essa veia esportiva que o Pinheiros tem. Enquanto estiver à frente do Clube, o alto rendimento é a minha bandeira.
Pinheiros O que o senhor pode adiantar em relação aos planos para as áreas social e cultural?
André – Ambas são áreas de grande importância. Na área social o Clube está bem estruturado. A minha ideia é utilizar a nossa capacidade de comunicação de forma a incentivar e aumentar a participação dos associados nos eventos que o Clube oferece. Outra iniciativa é resgatar algumas festas temáticas de muito sucesso que já tivemos. Uma delas, por exemplo, é a Festa da Cerveja. A ideia é envolver o público pinheirense nos eventos que o Clube usando a comunicação para fortalecer esse vínculo. Na parte cultural, uma das ideias é aproveitar os talentos pinheirenses. Temos um time incrível de artistas de renome em nosso corpo associativo: atores, músicos, artistas plásticos… Quero colocar o Clube à disposição deles para eventos como shows, espetáculos de teatro, dança, workshops. Também temos de olhar com carinho para os cursos que já são oferecidos. É preciso estruturá-los de forma que se tornem mais conhecidos e atraiam mais público. Precisamos aumentar o engajamento dos sócios.
Pinheiros É a primeira vez que o Clube tem uma mulher na Vice-Presidência da Diretoria, Vera Lúcia Catani Dutra Rodrigues. Trata-se de um indicativo de que a participação feminina vai ganhar espaço em sua gestão?
André – Sem dúvida. Nas últimas eleições para o Conselho Deliberativo, as mulheres tiveram votações significativas. A participação feminina é enriquecedora para o Clube. O debate de ideias ganha em qualidade. As visões masculina e feminina se complementam. A participação das mulheres é importante não apenas na esfera política, mas em toda a vida do Clube. A eleição da Vera Lúcia é mais uma porta que se abre e espero, em breve, ver uma mulher chegar à presidência do Clube. Será engrandecedor para o Pinheiros. Quero fazer também um agradecimento público à Patrícia, minha mulher, que foi uma das maiores incentivadoras da minha candidatura. O apoio dela foi fundamental e vai ser ótimo contar com a competência da Patrícia à frente do DAS (Departamento de Assistência Social) e em toda essa jornada nos próximos dois anos.
Pinheiros O senhor já tem um plano pensado para os adolescentes e para os idosos?
André – Estou nomeando um assessor da presidência que vai cuidar especificamente de propostas e iniciativas voltadas aos veteranos. Quero ouvir esse público para que a gente consiga alinhavar um plano que os atenda em suas necessidades. Quero atuar da mesma forma em relação aos adolescentes. Vamos escutá-los. Acho que os adolescentes se encontram numa espécie de limbo no Clube. Oferecemos muita coisa para as crianças e para os adultos, e eles ficam nesse meio do caminho, acabam um pouco esquecidos e o resultado é que se afastam do Clube. Precisamos atraí-los. Eventos que já aconteceram aqui, como o Texas Hold’Em, que é uma variante do jogo de pôquer, fizeram grande sucesso com os jovens. Podemos pensar em algo do gênero, dando ênfase à disputa, à habilidade de jogar, e não às apostas. Da mesma forma, podemos promover torneios de E-Sports, que têm grande apelo também. E precisamos tornar mais atrativas para esse público as modalidades esportivas que oferecemos. Por exemplo, promovendo torneios de Futebol Society, de que os jovens gostam bastante.
Pinheiros Vejo que há uma preocupação em ouvir os associados. Como isso pode ser feito?
André – Este é o meu segundo dia na presidência do Pinheiros. As ideias que estou apresentando nesta entrevista são uma espécie de carta de intenções, desejos, que vão depender muito de me debruçar sobre o Plano Diretor, de muitas conversas e de ouvir o associado por meio de pesquisas. Então muita coisa pode mudar. Veja, gerir um clube é muito diferente de gerir uma empresa. Na empresa vale a vontade do dono. Aqui vale a vontade da maioria. Portanto, quero tomar medidas com a segurança de que a maioria dos sócios está de acordo. Unanimidade nunca vai existir. Mas é fundamental ter o apoio da maioria. Uma forma de conhecer a vontade da maioria é fazendo pesquisas, e essa é uma ferramenta que quero usar. Se a maioria pensar uma coisa e eu outra, vamos pela maioria. A minha vontade não pode prevalecer.
Pinheiros Como presidente do Pinheiros aproveita o Clube?
André – Fui da equipe de Natação do Pinheiros. Mas, depois que abandonei as competições, passei a nadar muito pouco. A Natação é um esporte muito solitário e eu sempre preferi nadar em equipe. E pra nadar em equipe é preciso cumprir horário. Com a vida corrida que levo isso é bem difícil. Então, hoje, pratico uma atividade física no Clube que não depende de horário fixo, que é o fitness. O esporte a que me dedico — e isso é até paradoxal — pratico fora do Pinheiros porque não temos a modalidade por aqui: é o golfe, que adoro e em que exercito concentração, foco, atenção. Agora, participo muito da vida social do Clube, sou bem presente. Vou a todas as festas, shows, espetáculos de teatro e demais eventos que o Clube promove.
FOTO: RICARDO BUFOLIN/ECP
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